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Manifesto

Manifesto do Voto Nulø – Voto Plenø

 

Há hoje uma profunda crise de representatividade dos órgãos de soberania portugueses. Há uma grave falta de confiança dos cidadãos no sistema partidário. Há uma imensa distância entre eleitores e eleitos. Há uma trágica descrença no futuro.

Não há alma na democracia portuguesa porque não há participação colectiva na vida política do país. Porque há um progressivo ensimesmamento dos aparelhos partidários. Porque não há renovação dos seus dirigentes. Porque “os políticos” não perceberam que democracia não se resume a mandatos de maioria mas é sobretudo valorização da variedade e da complexidade da vida social.

Os portugueses abstêm-se demais: ou não votando de todo, ou votando no mal menor. Não porque acreditem nas suas escolhas, mas porque se castigam pela escolha anterior. Desresponsabilizam-se, desinteressam-se, desesperam.

Abstendo-se, ou votando de cruz, elegem governos alheados dos interesses dos cidadãos, sem mandato legítimo e sem diálogo para além do momento eleitoral.

Que grupos políticos recebam por esta via poderes tão extensos para planear e gerir programas de interesse nacional, regional ou local, é um insulto à inteligência colectiva da sociedade.

No íntimo, cada cidadão português que se abstém ou vota de cruz anseia por um ciclone que varra a classe política instalada e curte-circuite o espectro partidário.

Mas, ao fazê-lo, prescinde do direito soberano de exigir melhor. Esquerda e direita são hoje palavras ocas que sobrevivem tenazmente apenas devido a uma confrangedora falta de imaginação verbal e política O desmoronamento actual das ideologias monolíticas causa insuportáveis paradoxos que aumentam a desconfiança dos cidadãos: partidos “de esquerda” defendem valores “conservadores;” partidos “de direita” têm agendas “progressistas”, partidos “do centro” optam por intuitos radicalizadores de conflitos sociais).

Cada vez menos portugueses, a não ser os clientes da partidocracia em que se tornou a tralha retórica herdada da revolução de 1974, se revêem no sistema político montado, que se limita a funcionar como cadeia de transmissão de ordens e directivas produzidas em Bruxelas ou em Estrasburgo.

Mas a abstenção é uma fraca e inapta voz de protesto. O voto branco, sendo uma clara intenção de reclamar mais fundamentação, responsabilidade e capacidade aos candidatos a cargos de soberania pública, é um quase cheque em branco, passível de ser alterado na penumbra das mesas de voto após o encerramento das urnas eleitorais, e em termos de capacidade expressiva um mero substituto do princípio abstencionista.

O voto nulø é uma alternativa plena de potencial expressivo individual e colectivo. É um voto plenø. Através do voto nulø, afirmamos a legitimidade do sistema de representação popular clamando simultaneamente por melhores candidatos, melhores programas políticos, maior capacidade de entendimento do país.

Votando nulø, afirmamos a nossa criatividade individual: cada voto nulo é único; e cada voto nulo representa um potencial estético ímpar no contexto eleitoral.

No momento do voto, estamos sós, frente a uma folha de papel. Porquê deixá-lo em branco ou limitar-nos a fazer uma cruz num quadrado? Votando nulø, expressamos a nossa individualidade e o nosso contributo colectivo para a recriação da vida política.

Ao votar nulø, pedimos coerência e renovação; exigimos o fim da bastardização da democracia; dizemos que há que encarar novos caminhos políticos e maior participação dos cidadãos no futuro do país.

A abstenção é um voto nulo preguiçoso. O voto branco é um voto nulo sem tinta. O voto nulo só é nulo porque alguém lhe deu esse nome e ninguém voltou a pensar no assunto. O voto nulø é um voto válido e um voto plenø.

O Movimento Voto Nulø quer a maioria. Em defesa da democracia representativa e participativa, queremos que fique claramente consagrado na Lei Eleitoral que, caso mais de 50% dos eleitores votem nulo e branco, as eleições sejam anuladas e obriguem à realização de um novo acto eleitoral com novos candidatos.

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19 Respostas to “Manifesto”

  1. João Manuel Mendes says:

    É muito oportuno, agora que as eleições se aproximam, e as alternativas na escolha dos candidatos, sejam mais do mesmo, a possibilidade de uma forma organizada de protesto com a anulação do voto. Esta forma no entanto, não deixa de beneficiar os candidatos que continuam a ser eleitos com 1/10 dos votos e com maioria absoluta.
    Há que reêvindicar a proporcionalidade, que traria uma enorme vantagem para a democracia, um maior empenhamento por parte dos políticos, e um melhor aproveitamento dos recursos.
    Como exemplo, se para a Assembleia da República votassem 5 milhões de eleitores, dos 10 milhões de inscritos, e o Parlamento fosse ocupado por metade dos 230 deputados, a democracia sairia reforçada.

  2. Rita says:

    Olá,
    Quem me conhece bem sabe que eu não falto a nenhum evento eleitoral. Também sabem que eu nunca me envolvi em nenhum partido politico, porque não concordo totalmente com nenhuma ideoligia politica. Tinha algumas simpatias que se desvaneceram naquele decreto lei aprovado (à pressa) por todos os partidos (excepto um deputtado do PS) que “dizia” que os partidos podiam receber dinheiro de todo o lado sem dar “cavaco” a ninguem. Felizmente o nosso presidente não deixou passar esse decreto.
    Bem resumindo, não acredito em nenhum politico nem ideologia e acho esses senhores e senhoras gostam muito do seu “tachinho” e estão se borrifando para o bem estar do Tuga e se repararem as caras são sempre as mesmas.
    O que eu quero é gente no parlamento que realmente se interesse p/bem estar do povo e que não percam tempo com aquelas “tangas” do:
    “Oh Sho deputado…”
    Já exprimentaram ouvir (ou ver) uma sessão do parlamento?? É de morrer a rir…
    Vamos então todos votar nulo. Estarão a desempenhar (não era bem esta palavra que queria) o vosso dever civico e além disso podem divertir-se e exibir a vossa individualidade.
    Vamos mostrar a esta classe politica que não somos só um numero, somos individuos!!

    Vota nulo!!!

  3. J.M. says:

    Durante vinte e tal anos votei nulo pelas razões apresentadas no manifesto e por não querer apoiar gente medíocre.
    Há seis anos atrás resolvi radicalizar a minha posição um pouco e deixei de votar. Não é abstenção: é votar contra! No extremo, se não houver votantes não haverá eleitos.
    Após isto o que há? A revolução armada…???

  4. David says:

    Boa Tarde.
    Felicito a criação deste movimento até porque sentia-me orfão desta ideia de anular o voto com algo mais útil do que uma cruz num partido. Devo dizer que só votei validamente uma vez, e a partir de então percebi que a diferença não é votar, a diferença é termos o poder de não o fazer.

  5. Joao Moreira says:

    De facto, com actual panorama da falta de qualidade dos nossos políticos e governantes (sejam eles nacionais ou locais) dá vontade de exercer o direito de voto com o voto nulo… mas, parece-me abusivo que algum partido politico e/ou algum movimento se apodere e tome como seus os votos nulos que apenas e só manifestam o desagrado do “povo” perante a situação actual que atravessamos… no entanto, parabéns pela iniciativa

  6. Ricardo Soares says:

    Gostaria apenas de dizer a todos que já leram ou que ainda vão ler a informação disponibilizada neste sítio, que esta iniciativa é muito mais séria do que, á primeira vista, possa parecer. A política em Portugal está viciada e totalmente “fora de prazo”. Como cidadãos temos a obrigação de fazer alguma coisa…
    Votem nulo por um Portugal melhor.

  7. Maria Maya says:

    Percebo perfeitamente a desilusão desta política e destes políticos. Eu também a sinto.
    E partilharia convosco a ideia do voto nulo, se não tivesse descoberto um novo partido que se apresentou pela 1ª vez às eleições europeias em Junho passado e que se vai candidatar em todos os círculos eleitorais nas legislativas – o Movimento Esperança Portugal, MEP.(ver http://www.mep.pt)
    O MEP é uma lufada de ar fresco no panorama político português e seria o único partido que, se já existisse na A.R., teria vortado contra a lei do financiamento dos partidos.
    É um partido com uma prática diferente, que já se comprometeu a ter um tempo semanal para receber directamente os cidadãos que queiram colocar questões aos deputados eleitos pelo MEP.
    A sua gente não vem das lides político-partidárias, mas muita vem de movimentos cívicos – e é ver o percurso do Rui Marques, presidente do MEP.
    Eu, que voto desde o 12 de Abril e tenho sempre votado pelo menos mau, pelo que me parece mais útil no momento, encontrei pela 1ª vez no MEP um partido com o qual me identifico e, pela 1ª vez votei pela positiva – e senti-me muito contente com o meu voto, o que nunca tinha acontecido antes. Esta é a diferença entre votar convictamente, ou votar no menos mau.
    Votar nulo é não dar confiança a ninguém, mas este novo partido não merece tal desconfiança. O MEP merece, pelo menos, que nos informemos dos seus princípios e dos seus objectivos. O MEP merece, pelo menos, o benefício da dúvida.
    Votar nulo é deixar os outros decidir por nós – é deixar os outros escolherem “mais do mesmo”.
    Agora há alternativa – quem quiser votar na mudança, vote MEP.
    Votar nulo nâo contribui para construir o país, uma vez que o governo e as alianças se vão estabelecer sem olhar para os votos nulos.
    Só conseguimos construir alguma coisa quando temos objectivos e acreditamos neles. Só conseguimos construir alguma coisa quando temos esperança.
    Podemos estar desiludidos desta política, mas não estejamos desiludidos da vida, acreditemos no futuro e acreditemos que, somadas todas as nossas forças, podemos mudar o panorama político de Portugal. Agora!
    Eu não vou deixar os outros escolherem por mim: eu vou votar Movimento Esperança Portugal – MEP
    E vocês?

  8. Anonymous says:

    Será que não deveria ser voto em branco em vez de voto nulo?

  9. SurfsUp says:

    Safa, estes MEPes são as testemunhas de Jeová da política!

  10. M.Rodrigues says:

    Ola

    Sempre votei em branco em ideologias politicas mas a realidade continua na mesma nada muda, achei muito interessante o voto NULO pois teem de ser contabilizado de uma maneira diferente, e estas eleições vou votar NULO para tal apenas necessito de fazer um desenho (ou algo parecido) no boletim de voto. Só gostava que esta acção fosse com maior incidencia, e com mais visibilidade NACIONAL. Se precisarem de apoiantes contem comigo para a divulgação nem que seja a entregar panfeletos nas caixas dos correios.

    Abraço
    M.Rodrigues
    Amadora

  11. Joao Veríssimo says:

    De acordo com a mensagem de um leitor anónimo, questiono-me, também, sobre a questão do “nulo” versus “branco”.
    Na realidade, um boletim em branco é passível de ser entendido enquanto um voto de alguém que não encontra, por entre os nomes ou listas que se apresentam a votos, uma solução válida, viável, ou credível, para aquilo a que esses mesmos nomes ou listas se propõem.
    Entendo um voto nulo – seja ele surrealista, pré-rafaelita, ou outra coisa qualquer – enquanto um ataque grave a um mecanismo essencial à democracia, dificilmente conquistada pelo 25 de Abril, e suficientemente questionada pela má geração política que actualmente existe em Portugal, infelizmente comum a quase todos os movimentos e partidos.
    Todos os cidadãos têm, contudo, o direito de criar alternativas. Vivemos em democracia, felizmente. Uma das formas de o fazerem é criarem os seus próprios movimentos ou partidos. Outra, será a de aderirem a uma estrutura já existente, tentando acrescentar algo de novo. Mais soluções existirão, haja criatividade, sentido cívico e respeito pela comunidade: Manifestem-se. Exprimam-se artísticamente, em público ou em provado, por exemplo, via Youtube. Espetem tartes nas caras daqueles que o mereçam (desde que bem confeccionadas).
    Votar nulo é sublinhar um estado de negação – individual ou colectiva – que não leva a lado algum e que só fragiliza ainda mais o estado democrático em que vivemos.
    Votei por três vezes em branco. Se o entender justificável, voltarei a fazê-lo. Agora, entreter os membros de uma assembleia de voto com uns gatafunhos, criativos ou não (e é disso que se trata “votar nulo” – transmitir uma mensagem através de um canal errado), seguramente não o farei.
    Seria, seguramente, muito mais interessante que houvesse um “Voto em Brancø”. A bem de todos nós, sejamos contentes ou descontentes.

  12. Ricardo Cardoso says:

    Em 35 anos de democracia, esses senhores que se dizem, doutores, engenheiros e algo mais, ainda nao entenderam que o povo nao acredita mais neles.
    Prometem, mas nao cumprem o povo está farto, de ver gente a chular o povo ano apos ano.
    Todos fazem o que querem sao perdoados, o ze povinho é desempregado deve meia duzia de tostoes ao banco, fazem lhe a vida negra, até lhe penhoram a camisa do corpo se necessario, aos gatunhos de colarinho alto tapam os roubos.
    Querem esses senhores que o povo ainda acredite neles, tantas injustiças neste Pais( quanto mais corrupto mais credibilidade para a justiça, quanto mais honesto mais punido pela justiça

  13. oorlando monteiro says:

    POR CÁ, OS NOSSOS LADRÕES FORAM PROTEGIDOS PELOS MAIS ALTOS RESPONSAVEIS DO ESTADO ATÉ Á ULTIMA. AS FORTUNAS COM SAQUE ESTÃO INTOCAVEIS.O PROVÁVEL É DAQUI 150 ANOS É QUE OS VÃO JULGAR.
    Num país anestesiado como o nosso, onde criminosos, corruptos e corruptores,políticos e doutores,ricos e poderosos estão tão bem defendidos por leis feitas a sua medida quase nada nos indigna

  14. orlando monteiro says:

    Uma das poucas vantagens desta nossa democracia, é a de que todos poderão fugir à prisão mas, não se livrarão do julgamento com as vitalícias suspeições e dúvidas do cidadão comum.
    Um homem que vive da política e para a política nestes termos só pode mesmo viciar-se na propaganda e no faz-de-conta de si próprio onde é que eu já ouvi isto.

  15. Marco Rebelo says:

    Se uma maioria esmagadora de votos nulos anulassem as eleições, depois, o que sucede?

    Novas eleições?

    Novos candidatos?

    Não seriam como estes?

    Acho uma incrível falta de responsabilidade da parte de todos os que criticam os que estão a fazer MAL.

    Pois onde estão os que fazem BEM?

    Serão por acaso vocês, os maldizentes do sistema, esses outros?

    Se sim porque de que esperam para fazer algo?

    O mundo não muda por que sim, muda porque fazemos por isso. Votar nulo, votar em branco, não votar ou votar é tudo o mesmo, é dar a responsabilidade a outros que se dão ao trabalho de se por em evidência. Não prestam, pois bem então os que prestam que façam o que eles não consegue fazer, que dêem eles a cara.

    Nada me revolta mais que esta postura, criticamos, dizemos que eles estão a mais, e esperamos que venha da bruma um salvador.

    Isso é deprimente e mesmo patético, temos sim que fazer, existem vários pequenos partidos que estão a fazer por isso, por serem diferentes, pessoas “comuns” a trabalhar no sentido de serem uma alternativa.

    Informem-se e procurem os vossos valores neles e se não, se tem assim tanto de diferente a dizer façam por vocês, criem algo.

    Somente assim vamos a algum lado, se queremos mudar o mundo temos que o mudar a começar por nós.
    Levantem-se dos sofás e cadeiras confortáveis e façam algo para que ele mude.

  16. Expliquem mas é à malta como se produz um voto nulo… Se desenharmos um valente mangalho, é um voto nulo?

    Abraço!

  17. isabel cabaço says:

    Precisamos de demonstrar o nosso descontentamento…mas de uma forma organizada!

    Eu,voto NULO!!!

  18. [...] levantam-se movimentos cívicos que exigem mais, de todos. como o recém-nascido partido nulø, num apelo à participação de todos no dia dos votos, mesmo aqueles que não concordam com a cacofonia [...]

  19. J says:

    Melhor que o voto Nulo é votar mesmo …

    http://www.gov.blogtok.com

    Para acabar de vez com a farsa.

    O voto nulo supera o voto em branco e o voto em todos é votar num programa de todos e para todos.

    Primeiro estranha depois entranha … e assim se ganha

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