Internacional
A Internacional Nul@
Os problemas políticos e sociais do mundo actual, seja na sua dimensão global ou local, não são compreendidos nem respondidos pelas formas tradicionais de gestão política da soberania e da administração da coisa pública assentes em estruturas tradicionais de associação partidária e de consolidação de ideologias.
A participação cívica na vida política nacional, regional e local não se pauta já por uma sujeição passiva à hegemonia dos aparelhos partidários que se pretendem arautos de um relacionamento especial com grupos de interesses particulares e gerais estabelecidos, sob alegação de que a sua legitimidade decorre do princípio da representatividade democrática.
É evidente o fraco entendimento que os dirigentes partidários, condicionados às maneiras habituais de fazer política, têm demonstrado perante o carácter multifacetado e de certo modo pulverizado das habituais tendências associativas, solidárias e reivindicativas de populações que recusam tipificações classistas e restrições identitárias assentes em categorizações nacionalistas, regionalistas, localistas, etnicistas, etc..
Um pouco por todo o mundo, surgem novas formas reivindicativas de afirmação e participação comunitária independentes da retórica, da lógica e da postura típica das formações politico-partidárias, que erodem a preponderância e a legitimidade da representatividade democrática.
O resultado tem estado à vista: desconfiança, desinteresse e desgaste na relação entre cidadãos eleitores e aqueles que recebem, ou desejam receber, mandatos políticos por escrutínio popular. O abismo criado, e a incompreensão mútua que ele revela, constituem perigosos sinais para a saúde dos regimes democráticos.
Um dos sinais mais curiosos da exigência de mudança deste estado anémico de coisas no mundo, é a proliferação de movimentos independentes, largamente informais, de apelo ao Voto Nulo. Grupos anónimos e não ligados às estruturas de poder e controlo informativo, em vários países do mundo, reúnem-se em torno de uma forma de protesto criativa e potente: o apelo ao voto nulo que, legitimando a natureza do regime democrático, reclama a sua regeneração, depositando sobre os partidos políticos – com toda a legitimidade – o ónus de procurar soluções para uma reaproximação entre eleitores e elegidos ou elegíveis.
Alemanha, em Itália, no Brasil, na Venezuela, no México, no Canadá: estes são apenas alguns dos países onde o movimento do Voto Nulo tem proliferado. Um movimento de defesa intransigente da democracia e da liberdade individual e colectiva.
Em Portugal, a ascensão do número de eleitores que optam pelo voto nulo não pode ser subvalorizada. Seria arrogante classificá-los de anti-democráticos, irresponsáveis ou niilistas. Tanto mais porque, como acontece noutros países, quem opta pelo voto nulo tende a ser quem é precisamente mais esclarecido, quem possui melhores instrumentos de leitura da realidade política, e quem recusa ceder á tentação facilitista da abstenção ou do chamado voto de cruz, que implica votar de forma negativa: no mal menor, no menos ruim, no que ainda não viu o seu perfil questionado ou castigado.
Com a criação do Movimento Voto Nulø – Voto Plenø, Portugal obtém assim representação junto da Internacional Nul@.











Concordo com o princípio, mas sou das que tem medo de que ganhe o pior e voto num mal menor.
Mas tenho muito gosto em ajudar na vossa campanha!